Foi com esse headline que comecei a semana. Um amigo meu me veio com esta frase, com entonação afirmativa, avisando que Beck estava de volta, com disco novo e com bastante coisa pra contar. Diferente do que geralmente é comum fazer, decidi não fazer uma resenha de um CD que ainda não conheço, decidi fazer um faixa a faixa, ou será um post a post, enfim.
Bom, Beck é um norte americano de 38 anos recêm completados em Julho que responde por uma carreira de música bem peculiar. Com destaque para colagens de vários estilos musicais em seus trabalhos, o compositor e multi-instrumentista se destaca ao apresentar várias influências misturadas de forma inusitada com um experimentalista que lhe rendeu várias nomeações por veículos altamente conceituados no mundo da música, como a revista Rolling Stone, NME, Mojo e a premiação do Grammy.
Bom antes de entender o conceito de Modern Guilt, procurei entender o conceito sonoro sem me aprofundar em pesquisas ou biografias e entrevistas intermináveis. Desde a primeira música, o CD tem uma sonoridade bem simples, com poucos instrumentos e andamento bem definido. Os vocais se juntam aos efeitos sonoros que permeiam todas as faixas, deixando um ar meio obscuro à imagem do artista, soa como uma voz que emana de um ambiente. A primeira impressão que tive após ouvir o disco todo foi a de uma "banda" (o cd foi gravado tendo como instrumentistas praticamente apenas o próprio Beck e o produtor Bad Mouse) que não tem medo de lançar mão de efeitos e sonoridades eletrônicas em sua versão original, mesmo que todas as músicas sejam plausíveis para uma performance completamente ao vivo. Efeitos e syntetizadores estão ali com o sentido de colaborar com o sentido de cada canção, e não de trilhar uma identidade sonora, o recheio continua sendo bem orgânico e braçal.
Esta resenha se confundo com uma análise da primeira música do CD, Orphans. Como disse acima, mais interessante do que um aprimeira impressão sonora é o significado de cada letra e do CD como um todo. Nesta música Beck se coloca ao lado de quem ouve e sintoniza o cenário em um deserto cheio de pessoas esparsas que seguem um rumo pessoal às coisas que sentem ser mais importante do que qualquer tipo de vida que pode ser achado em um caderno de empregos ou em uma biografia de algum artista. Frases como "I got this diamond I don't know how to shine" "And how can I make new again what rusts every time it rains" definem conceitos dentro de um texto onde a ligação de cada significado fica por contato de quem ouve. Fica para cada um formar sua imagem de órfão particular.
Por enquanto está valendo bastante a pena esta experiência, enquanto faço a preparação para a gravação total da última música (ainda sem nome) que postei na semana passada hoje me veio uma daquelas idéias de música que se não são anotadas de imediato podem desaparecer. Em breve vou estar postando essa nova música aqui também.
domingo, 3 de agosto de 2008
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